Porquê este blogue?
Porque fundámos este blogue sobre Cursos EFA – Novas Oportunidades?
Somos um grupo de Formadores de Cursos EFA que teve imensas dificuldades em obter materiais pedagógicos que se coadunassem com o Referencial de Formação e com as necessidades dos formandos. Entendemos que há que adequar materiais ao contexto específico da Educação de Adultos, orientada para a validação e aferição das competências dos formandos adquiridas ao longo da sua experiência de vida, sem descurar todas as capacidades que adquiriram pelo seu próprio esforço e empenho. Na estruturação dos cursos EFA é de vital importância adequar as propostas de trabalho a cada Núcleo Gerador e Domínios de Referência. Todavia, não podemos esquecer que cada formando traz consigo uma história de vida distinta e repleta de saberes únicos baseados quer na sua experiência pessoal quer na sua vida profissional. Esta aprendizagem de teor informal deve ser encarada como um manacial de conhecimentos embora pouco reconhecidos, mas de vital importância para a economia do nosso país. Perante um mundo académico, estático e fechado que tende a sobrevalorizar o saber académico, formal e teórico, esta viragem para o saber baseado na experiência de vida informalmente obtida, representa uma revolução nos esquemas tradicionais de pensamento. Esta ruptura com os modelos convencionais de relação professor-aluno, fundamentada numa reverência sapiencial e numa distância cultivada pelas tradicionais salas de aula, em que o professor assumia um papel central como um fiel depositário de todo o saber que o aluno deveria memorizar e reproduzir, significa uma mudança de mentalidades na nossa sociedade e funciona como uma lufada de ar fresco numa tradição que insistia em valorizar o conhecimento formal e escolar em detrimento de outras formas de aprendizagem que, desde os primórdios da civilização, sempre fizeram parte da vida humana e contribuíram para a formação dos indíviduos encarados como um todo e não como uma mera acumulação de saberes teóricos, desenraizados da vida e da experiência de cada um. Desde a antiguidade que o saber era transmitido pelo exemplo baseado nas vivências quotidianas, as quais eram fundamentais para a satisfação das necessidades básicas e para a superação das dificuldades que a natureza impunha ao ser humano, ainda não dotado de tecnologia nem preparação para lidar com os imprevistos e fenómenos naturais a que estava sujeito. Mais tarde, como que por evolução natural humana, surge o ensino formal nalguns locais do antigo Egipto, Suméria e Grécia. Este manteve-se e cristalizou-se até ao século XX.
As Novas Oportunidades simbolizam como que um regresso à pedagogia socrática grega. Isto porque ambas se baseiam no ensino informal e não procuram ensinar verdades dogmáticas, pretensiosas e não sujeitas à crítica. Ou seja, trata-se de extrair os conhecimentos que cada sujeito já possui em si. Este método não exige uma relação hierárquica entre professor e aluno mediatizada pela disposição da sala de aula. Estamos perante uma relação horizontal, autêntica e democrática que permite o fluxo da informação sem obstáculos nem barreiras formais.
Outro mérito das Novas Oportunidades prende-se com o recurso às novas tecnologias. O formador é como que um mediador entre os conhecimentos e as experiências dos formandos e a investigação e recriação das mesmas em suporte informático. Os recursos facultados através do Programa Novas Oportunidades, mediante a facultação de material informático (computadores portáteis e software a preços simbólicos – uma das medidas do Plano Tecnológico) e ligações à internet móvel de banda larga (TMN, Vodafone e Kanguru da Optimus) a baixo preços, tornam possível o acesso dos formandos à maior biblioteca mundial que é a internet actual, a qual dinamiza o sistema de ensino e permite a interacção entre o formando e o conhecimento, convertendo este num sujeito activo perante a informação. Isto entra em contraste com o modelo tradicional de ensino no qual o aluno é um mero espectador e receptor passivo de informação. A inexistência de manuais escolares nos Cursos EFA e RVCC não é um erro pedagógico, mas sim o culminar da interacção entre a pesquisa activa do formando, efectuada com o recurso às novas tecnologias e a outras fontes de informação, e o manancial das vivências de cada formando.
Compreendendo que é difícil encontrar modelos e referências para este novo método de trabalho usado nos Centros de Novas Oportunidades, decidimos ajudar os colegas a ultrapassar as dificuldades e obstáculos por todos sentidos quando nos deparamos com estas novas metodologias e não temos o recurso aos tradicionais Manuais Escolares.
Por isso sejam bem-vindos ao nosso blogue e sintam-se à vontade para contactar-nos se quiserem trocar ou sugerir materiais a fim de serem publicados neste blogue, com vista à entreajuda entre colegas. Aqui fica o mail disponível: efanovasoportunidades@gmail.com

